O “jejum de dopamina” não existe. Seu cérebro não se acostuma de fato à liberação de dopamina. Nem precisa de intervalos para se livrar dela

 O “jejum de dopamina” não existe. Seu cérebro não se acostuma de fato à liberação de dopamina. Nem precisa de intervalos para se livrar dela.

 No entanto, um desenvolvimento relativamente novo no funcionamento humano é a capacidade de receber grandes quantidades de dopamina, que é a substância química da recompensa, por meio de atividades que não servem a nenhum propósito funcional em termos de sobrevivência ou de avanço em direção a objetivos.

 Estou falando, portanto, de atividades como jogar videogame, navegar impulsivamente nas redes sociais, fazer compras, apostar ou usar drogas ou álcool. Todas essas são coisas que, no momento, proporcionam uma gratificação muito intensa, mas, a longo prazo, normalmente não nos aproximam de nossos objetivos nem se alinham com nossos valores de vida e, em alguns casos, talvez até nos afastem deles em um ecossistema mental que funcione de maneira ideal.

 A atividade que traz a maior recompensa é também a de maior valor, o que significa que as coisas que mais importam para você são também as que proporcionam a melhor sensação ao serem feitas.

 Se você não tiver uma estrutura estabelecida em sua vida, então as coisas que você realmente valoriza, as que são realmente importantes para você, como passar tempo com amigos ou familiares, participar de atividades religiosas ou espirituais, ir ao trabalho, ir à escola, cuidar da sua saúde, cuidar do seu emprego, todas essas coisas vão parecer obstáculos ou tarefas que você precisa cumprir para chegar às atividades de alta estimulação.

 Aquelas que você realmente, entre aspas, “quer fazer”, seja lá o que for. Portanto, se você se encontrar em um ciclo de vida em que passa horas e horas apenas realizando essas atividades que não produzem nada, talvez valha a pena dar um tempo nessas atividades, especificamente.

 O problema não era a dopamina, era o ritmo que eu estava forçando meu corpo a manter só para me sentir bem.


-Matteo Raiser

insta: @psimatteoraiser

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